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A outra Sra. Merkel

14/11/2012

Foto – Business Insider

A Sra. Angela Merkel, que também é a Chanceler da Alemanha, «gosta de cozinhar e o seu convidado de sonho para jantar é Vicente Del Bosque, o treinador da selecção espanhola»*.

É uma senhora casada, como muitas outras, por sinal, com um senhor de categoria em aparência.

De acordo com a mesma fonte, a Sra. Merkel é «discreta, obstinada, reservada, concentrada, metódica, ponderada, rigorosa, trabalhadora, obsessiva, mas sem deixar de ser flexível, dialogante, acessível, afável, e, acima de tudo, uma pragmática.»*

Diz-se que «no dia em que o Muro de Berlim caiu não alterou a agenda. Só foi festejar depois de ir à sauna»*. Programada, uma virtude que também tento cultivar.

Mas então porque é que esta mulher, como tantas outras, faz hoje a diferença e concentra o apoio alemão, à sua Chanceler, numa cifra que se centra nos 67% de popularidade e lhe dá a aprovação na sua política europeia…quando na Europa isso não acontece?

Angela Merkel sucedeu a Gerhard Schröder, da ala socialista, o ex-Chanceler que deixou a Federação em pantanas…sim a produtiva Alemanha! A Sra. Angela, a mesma que nos anos noventa usava relógios digitais daqueles pretos de plástico, sempre foi politicamente muito próxima do grande Helmut Kohl, seu mentor, e daí pôde angariar um forte compósito de conhecimento e de estratégia que bebia do período de prosperidade e união de Kohl e entroncaria, ao longo do processo de crise, na sua própria forja de «um novo papel para a Alemanha no palco europeu.»* E resultou para a Alemanha! Os alemães não a contestam e daí os tais 67%.

Ela antecipou-se e os alemães, à data, passaram as suas próprias dificuldades, mas obtiveram um resultado final francamente positivo. Acreditaram unidos à sua Chancelaria, no  fundo acreditaram no seu governo. O subprime que começaria a ganhar contornos indesmentíveis em 2008, cedo seria detectado e atacado pela Sra. Angela.

Isso lá. Por cá, no (far)Oeste europeu, vão prevalecendo os interesses bolorentos e instalados dos habituais lobbies do séc. XVIII, das “ajudas de custo”, dos carros topo de gama, de cargos e sectores públicos para encaixar alguns….enfim. Mas mudar o paradigma não é para todos… Estou convicto, agora, que é isto que o Governo, melhor ou pior, com mais ou menos lapsos, anda a querer fazer. Mas não vai ter caminho fácil. O Governo encontra-se a partir o que está errado para construir direito…mas temo que a construção fique a meio e venham os outros do costume. Ficaremos com mais uma obra inacabada, abandonada como essas que já por aí abundam aquando da queda da pseudo economia que se chamava construção civil.

Muito mais preocupado estou com a república norte americana, pois eles lá andam a fazer mais do mesmo que se faz no “socialismo indolor”, ou seja, imprimindo dinheiro atrás de dinheiro para camuflar o verdadeiro problema…maior erro não podia existir e a dor quando vier ainda pode ser maior do que na Europa… Ao contrário, a Sr. Angela, foi pela via da clarificação nas situações económicas e tentar tirar o mundo económico do controlo dos especuladores, aqueles que ganham dinheiro gerindo dinheiro. A Sra. Merkel empresta-nos a juro de 3,5%. Qual era ao banco que dava a esse juro a um de nós? Ela disse aos alemães que era preciso mudar de vida, e é isso que ela tentando transmitir para cá. Porém, em Portugal, não se resolve com alterações à Constituição de 1976, resolve-se sim com uma nova Lei Fundamental. Mais revisões serão como aquelas casas que estão com os alicerces fragilizadíssimos face ao tempo e ao desgaste dos materiais, mas no entanto vai-se pintando e alindando por fora.

Como disse José Gomes Ferreira: «Abençoada Sra. Merkel (…) um dia os portugueses ainda lhe vão bater palmas.” (aliás tirando a parte do “Presidencialismo” concordo com tudo o que referiu – ver a partir do minuto 15”).

De um aspecto tenho a certeza, a senhora Merkel é o ícone político que já há muito tempo faltava e que, desde dos anos oitenta, deixamos de ter. Nos noventas e na primeira década do novo milénio fomos desabituados por políticos amorfos, incapazes, fracos, interesseiros, incompetentes e apagados. Por isso há que aproveitar este interessante e raro desígnio contemporâneo e não denegri-lo.

Mas termino, por razões óbvias (e até históricas) com a frase chave dos escuteiros (não fosse Baden-Powell inglês): “Sempre alerta!”

*Revista do Expresso, de 10 de Novembro de 2012, págs. 24 a 32.

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