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Iussupov e D. Manuel II!

02/09/2010
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Postal dedicado a Sua Majestade o Rei de Portugal.
Como já referi noutro «post», nunca li as memórias do príncipe Iussupov.
No entanto, depois de ler um comentário do meu bom amigo Professor Doutor Carlos de Abreu Amorim, decidi realizar uma pequena investigação «internética» sobre o assunto.
Encontrei um pequeno texto do excelente jornalista  José Milhazes, publicado em  9 de Janeiro de 2008, que me permito transcrever na íntegra.
Como se verá, se no exílio inglês alguém tinha comportamentos pouco edificantes, não era o Rei de Portugal…!  
Cito:
«Ao ler as memórias do príncipe russo Felix Iussupov, um dos homens que participou no assassinato de Gregori Rasputin, deparei com o facto curioso de esse russo estar ligado por fortes laços de amizade ao último rei português, D. Manuel II.

Não posso deixar de citar esta passagem curiosa das memórias:

“Recordo-me como o rei português ficava surpreendido e indignado ao ver no meu apartamento uma Torre de Babel (a cena passa-se em Londres em 1920, quando no apartamento do príncipe russo viviam dezenas de pessoas que tinham fugido à revolução comunista de 1917). Ficou definitivamente furioso quando o sentei a jantar na casa de banho.

O rei Manuel não compreendia a desordem. E também não compreendia brincadeiras. Mas eu gostava de brincar com ele. Certa vez, tendo-o convidado para o jantar, decidi vestir Bull (secretário de Iussupov) com roupas de uma respeitosa dama de idade. Apresentei-a ao rei como minha tia surda que acabára de chegar da Rússia. Manuel ouviu atentamente, fez uma vénia e beijou a mão da “tia”. Durante a refeição, eu ferrava os lábios para não me rir. O criado que nos servia sorria baixinho. Bull imitava genialmente bem a “tiazinha”, mas, de súbito, esqueceu-se, levantou uma taça de champanhe e gritou: “Viva Sua Alteza Portuguesa!” O rei não suportava surpresas daquelas. Ficou ofendido e não falou comigo durante um mês.

“Mal tinha acabado de ser perdoado, preguei mais uma partida, mas, desta vez, involuntariamente. Tendo sido convidado para um almoço no palacete de Manuel, cheguei muito atrasado. Depois de despir rapidamente o sobretudo e tirar o chapéu, entreguei-os a um sujeito que estava à porta, correndo depois pelo corredor para chegar à sala de visitas. O rei Manuel recebeu-me friamente. Eu balbuciei desculpas. Abriu-se a porta e fiquei contente ao ver que não tinha sido o último a chegar, mas entrou o sujeito para quem apressadamente tinha atirado o sobretiudo e o chapéu. Porém, Manuel foi ao encontro dele e, depois, virou-se para mim com as palavras: “Parece-me que ainda não te apresentei o meu tio, o duque do Porto”.

“Estava pronto a desaparecer pelo chão abaixo. Mas sua excelência não ficou nada zangado por ter passado por criado. O tio, ao contrário do sobrinho, tinha sentido de humor”.

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