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Nobreza. Napoleão, Garrett, Drs., Dona X e a Menina XX

05/07/2010
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Não gosto, não posso gostar, de Napoleão. No entanto, uma frase sua há, que cada vez mais admiro:- «O bastão de de Marechal, têm os meus soldados na mochila!».

Somos, sem dúvida, um pobre país, recheado de títulos e contra-títulos universitários, que de nada servem. São os substitutos que encontramos, para os antigos títulos nobiliárquicos, que de nada serviam também.

Os mesmos títulos que o visconde de Almeida Garrett – ele próprio uma vítima do desvario «nobilitante» que criticava – também exibia.

Só há uma nobreza que interessa: a do espírito, a da alma. A que qualquer um de nós pode, apesar das dificuldades, alcançar.

E essa; a única, a verdadeira nobreza; pode encontrar-se em qualquer altura e em qualquer lugar.

Costumo dizer, que o dia em que me senti mais «nobre» na vida – sem o ter sido, sequer -, aconteceu há uns anos em Tabuaço, com a neta da Dona X.  A senhora que há quase trinta anos, é funcionária doméstica lá de casa.

Certa vez, num dos maravilhosos fins de semana que passava na Terra, a minha mãe contou-me que a Menina XX, portadora do síndrome de Down, não frequentava qualquer escola e estava, por isso, muito atrasada no seu desenvolvimento.

Escrevi uma simples carta a uma instituição educativa próxima e, por incrível que possa parecer, obtive resposta.

Aceitaram a menina XX  que, nos dias de hoje, tem uma vida bem melhor do que a que tinha, isolada em Tabuaço.

Quando voltei a casa, meses depois, recebi o abraço mais sentido que alguma vez recebera ou poderei receber na vida. Pareceu-me ser Deus a abraçar-me. Era a maneira da Menina XX me agradecer o que tinha feito.

Como disse, senti-me «nobre» nesse momento.

No entanto, a verdadeira «nobreza» desta história, é da Dona X e da Menina XX: da Dona X que, perante o abandono da restante família parental, se recusou a deixar a neta nas mãos do destino; da Menina XX  que, apesar da deficiência de que é e será portadora, continua a tentar fazer, na escola, o melhor possível, todos os dias.

É provável que a Menina XX  não obtenha qualquer título académico. No entanto, posso afirmar que, se há «nobreza» no mundo; é a dela e da avó.

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2 comentários leave one →
  1. João Leite permalink
    06/07/2010 16:11

    Não posso deixar de registar o meu total acordo com os termos em que coloca o tema/problema.

    Tantos egos que se inflamam ante a aparência do ter!

    E quão vazios se nos mostram quando percebemos o seu ser!!

    A história da nossa vida far-se-á com o pouco que conseguirmos construir para marcar a diferença – para melhor.

    Aquele abraço de sempre.

  2. ALS permalink
    06/07/2010 23:05

    Meu caro e bem amigo, Dr. João Leite.

    Muito obrigado pelo seu simpático comentário.

    Concordo, em pleno, com a opinião que expressa.

    Abraço amigo e solidário.

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