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Uma interessante conversa internética

28/04/2010
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Desenvolvi uma interessante conversa internética com o Sr. João André (pessoa que não conheço). Transcrevo a parte final da mesma, por considerar ter interesse.
Diz Mr. João André:

«A única coisa em que estamos de acordo é no facto de nunca ter sido perguntado directamente aos portugueses qual a forma que preferem: monarquia ou república. Se bem que a pergunta tem sido feita, de forma algo indirecta, nas eleições. Há um partido monárquico que nunca conseguiu representação significativa (é significativo que muitas das personagens políticas conhecidas que são também monárquicas prefiram outros partidos, como o PSD). Seja como for entendo que um dia destes deveria haver lugar a uma simples consulta popular com a pergunta: “prefere a monarquia ou a república?”»

Ego – Estamos de acordo, enfim, acerca deste importante aspecto. Dever-se-ia realizar um plebiscito nacional, sobre uma das matérias mais referendadas em todo o mundo. Os resultados foram, como deve saber, muito variados: por exemplo, na Holanda, depois da II.ª Guerra Mundial, venceu a Monarquia; na Austrália, em 1999, também, assim sucedeu. Noutras nações, venceu a República (por vezes, com imensas dúvidas sobre os resultados e fundadas suspeitas  de fraude eleitoral: em Itália em 1947; na Grécia, durante os anos 70, assim sucedeu). Quando em 1911 o «Comandante» Paiva Couceiro entrou pela Galiza em terras de Portugal, levava uma bandeira «azul e branca»… Sem Coroa! Porquê? Porque defendia, já por essa altura, que a decisão sobre a questão da forma do regime político, cabia, exclusivamente, ao Povo Português, que devia, por isso, ser chamado a pronunciar-se sobre a matéria.
Defendo, desde os 13 anos, que não faz qualquer sentido a existência de um Partido Monárquico em Portugal. Se esta interessante dicotomia Monarquia/República que discutimos, se resume, como afirmo, a uma mera questão de forma, a ideologia política de cada um, tem de se colocar numa dimensão diversa. Dou-lhe um exemplo: o João André apoia a República como forma de regime; a sua ideologia política, nada tem a ver com essa sua opção. Eu, pelo contrário, defendo a Monarquia. Ora, se sou votante no Partido: Social-Democrata; Socialista; Democrata-Cristão; Ecologista ou Comunista; isso, também, nada diz, quanto à forma de regime, pela qual me bato.
Já reparou que um monárquico e um republicano, podem perfilhar a mesmíssima ideologia política?

«Quanto à sua afirmação «não conseguiu, foi dar nota de alguma Monarquia europeia que o não seja [democrática] actualmente», tenho que referir um facto muito simples: quando isso aconteceu no século XX (em diversos países), após a queda da ditadura esses países optaram pela república. Mesmo hoje há herdeiros aos tronos das antigas monarquias em vários países do leste europeu, mas os países permanecem repúblicas. Como não lhes conheço as constituições (conhece o senhor as constituições de todos esses países?, parabéns então), não sei se prevêm a possibilidade de voltar à monarquia».

Ego – Se esses países de leste permanecem Repúblicas, parece-me que estão no exercício de um direito que lhes assiste. Que se saiba, com excepção de Portugal e da França, na Europa e de um País africano, de que me não recordo o nome, não há Constituições que imponham a forma de regime aos seus cidadãos. Logo, isso permite viver em Monarquia.

«Por outro lado, puxar a história tão atrás (1688) vai dar obviamente em monarquias. Puxe mais atrás ainda e só dá em falta de democracia, como bem diz. Portanto não argumente que as democracias mais antigas são monarquias e depois escreva «Eu estava, como é evidente, a referir-me aos nossos dias».

Ego – Desculpar-me-á o João André, mas «Eu estava, como é evidente, a referir-me aos nossos dias». O sr. é que sugeriu que, eu teria falado em Espanha, como exemplo de uma democracia antiga, coisa que não fiz em nenhum momento! Por isso, tive que lhe dar o exemplo da «Gloriosa Revolução» inglesa de 1688.

«No fundo, a minha questão é sempre a mesma: diga-me qual é o monarca que é eleito numa monarquia. Diga-me se as monarquias que prevêm a possibilidade de mudança de regime (que as há, eu sei) decidem a cada vez que o monarca morre ou abdica fazer um referendo pela manutenção da monarquia. Se isso existisse deixaria de ser monarquia, isso é certo».

Ego -Houve na História, várias Monarquias electivas: Polónia; a dos Visigodos. Nos nossos dias, a Monarquia da Malásia e a do Vaticano, podem dar-se como exemplo. Na Dinamarca, sempre que há sucessão ao trono, o parlamento reúne-se e decide esta simples questão: – «Continuamos em Monarquia, ou passamos a viver em República?»

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One Comment leave one →
  1. PPA permalink
    29/04/2010 20:53

    Inteligente recorte.

    Abraço.

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