Skip to content

Ainda as Bandeiras espanholas de Valença; a minha queridíssima primeira Professora e Duarte de Almeida

10/04/2010
by

 Continuo estupefacto com a atitude dos cidadãos de Valença do Minho, que arvoraram, despudoradamente, bandeiras de Espanha, como forma de protesto contra um governo do país.

 Levantar uma bandeira estrangeira no território de um país soberano como o nosso,  é coisa demasiado feia e triste, para se utilizar como arma de luta política, por mais correcta que seja a reivindicação dos «protestantes». Digo isto, apesar de considerar  justíssima a luta do Povo de Valença, por melhores condições médicas.

Veio-me à memória, um episódio da minha 4.ª classe.

A minha Professora era, pura e simplesmente, belíssima. Tinha muita sabedoria e uma experiência de décadas, que a faziam ultrapassar com facilidade, os constrangimentos dos programas escolares minimalistas, pós-revolucionários.

  Uma das matérias onde esse minimalismo mais se fazia sentir, era em «História de Portugal». No meu tempo, para mal dos meus pecados e dos meus colegas, a matéria resumia-se já, a três (!)  páginas de um livro, onde se julgava possível condensar (como?) séculos de vivência de uma pátria comum.

Felizmente, a Senhora Professora ultrapassava em muito, o limitado programa lectivo. Era extraordinário assistir às descrições entusiasmadas de grandes batalhas, de descobertas inauditas, de lendas heróicas e de uma perspectiva do mundo, que sublinhava, acima de tudo, um amor imenso a Portugal. Ainda hoje, «recordo» que estive com D. Afonso Henriques em São Mamede em 1128; lutei com D. João I em Aljubarrota em 1385 e cheguei à Índia com Vasco da Gama em 1498…!                   

 Nunca poderei olvidar o que se passou na minha sala, quando a lição versava sobre a batalha de Toro de 1476. A descrição do épico heroísmo de Duarte de Almeida, Alferez-mor de D. Afonso V, o famoso decepado, que se recusou a deixar cair por terra a bandeira do seu Rei, mesmo já sem   braços para a segurar, deixou metade da minha  turma a lacrimejar.

Por isso, o episódio de Valença é uma infelicíssima circunstância.

Anúncios
2 comentários leave one →
  1. Carlos Eduardo da Cruz Luna permalink
    12/04/2010 18:21

    VALENÇA DO MINHO E AS ELITES PORTUGUESAS (não esquecendo Elvas)
    As elites portuguesas têm um problema. Não confiam no povo de que são
    filhas. Lamentam
    o “baixo nível” do seu próprio povo. Nem sequer entendem que, agindo
    assim, e sendo elas
    por definição os “melhores” de entre o seu povo, e aqueles que, até
    certo ponto, devem
    dar o exemplo, estão a passar um atestado de incompetência a elas próprias.
    No fundo, as elites têm horror a misturar-se com o povo de que são
    filhas. E lamentam
    não viver noutro País, onde as populações não sejam tão rudes.
    Ao longo da História, as elites portuguesas têm metido os seus conterrâneos em
    aventuras de vários tipos… incluindo tentativas de se subordinarem
    ou unirem a outros
    Estados que não o Português. Estados onde, curiosamente, vivem
    populações bem menos
    acomodatícias que a portuguesa à tradicional prepotência dos “grandes”
    da Lusitânia.
    Curiosamente também, o povo português tem reagido, e destroçado as
    mesmas elites.
    Todavia, parece haver aqui um ciclo infinito. As novas elites que,
    após as muitas
    revoluções que Portugal conheceu, substituem as antigas, acabam por as
    imitar na forma
    como se vêem e vêem o seu povo. Em pouco tempo, os vícios ressurgem.
    Não me refiro apenas a nobres ou a burgueses. As elites intelectuais
    têm seguido o
    mesmo percurso. Volta e meia, temos os mesmos discursos descrentes e
    pessimistas. Foi
    assim no final do Século XIX, e de novo no início do século XX. A
    ditadura salazarista
    incompatibilizou estas elites com muitos aspectos da vida portuguesa.
    O mais curioso é que esta tendência se renova nos finais do século XX
    e começos do
    XXI. E é ver escritores (começando pelo genial Nobel Saramago,
    convencido de que a sua
    atitude é original…), de vários quadrantes, a lamentar não terem
    nascido num País maior
    e que lhes reconheça a sua “infinita grandeza” ( que marcha a par,
    demasiadas vezes com
    uma infinita presunção ), mas também economistas, grandes empresários,
    políticos, e,
    pior, governantes, a pronunciarem-se da mesma forma. Discretamente,
    neste último caso,
    claro. Mas com muita eficácia.
    Durante séculos, o povo rude ficava longe destes procedimemtos.
    Todavia, e felizmente,
    a instrução popular tem progredido. As elites são agora mais imitadas,
    mais ouvidas, ou
    desprezadas com maiores conhecimentos. Instintivamente, o povo revê-se até na
    mediocridade das mesmas elites. Para sua desgraça.
    Assim se chega a situações com a de Valença do Minho, com bandeiras
    espanholas içadas
    pelas populações. As elites aplaudirão ( “nós não dizíamos? Este povo
    não tem capacidade
    para sobreviver de forma independente; Portugal vai acabar…”), ou
    abanarão a cabeça com
    desgosto, e dirão: “Triste povo o nosso; nem patriotas são; isto só lá
    vai, mesmo, com
    uma ditadura”.
    Afinal, os habitantes de Valença do Minho nem se apercebem que, com o
    seu protesto,
    estão a ajudar e a dar razão a quem lhes quer tirar direitos. Num País
    onde as elites
    mantêm uma das mais altas taxas de desigualdade social da Europa, e
    consideram isso
    natural, o povo, a eterna vítima, em vez de exigir uma melhor
    repartição de riqueza, em
    vez de lhes exigir que abdiquem do muito que têm para que os serviços
    básicos (saúde,
    educação) não sejam afectados, mas antes melhorados, os “populares”
    entregam a resolução
    do problema ao vizinho espanhol. Que alívio para essas mesmas
    elites… em que se
    incluem os políticos governamentais e muitos dos que os apoiam.
    Não me posso esquecer do encerramento da Maternidade de Elvas a favor
    de nascimentos
    em Badajoz. Um precedente perigoso. Quantas pessoas terão consciência
    DE que, daqui a
    trinta e poucos anos, nenhum elvense se poderá candidatar a Presidente
    da República por
    não ter nascido em Portugal, conforme determina a Constituição? Onde
    está a garantia, por
    parte do Estado, do direito de cidadania para toda a população? Quanto
    sentido de
    irresponsabilidade…
    Estas não são soluções. A sujeição a estranhos nunca foi solução. Como
    os portugueses
    compreenderam em 1383/85, ou 1640, ou em 1808. E fizeram as elites
    pagar pelos seus
    erros, pela sua cobardia, pela sua falta de patriotismo.
    Talvez seja altura de o Povo se assumir como elite de si próprio. Ou
    de vigiar mais
    atentamente, e de forma muito, mas muito mais exigente, quem dirige a
    sociedade.
    Eu preferia a primeira opção. Mas a segunda já pode ser um progresso.
    Valença do Minho e as bandeiras espanholas podem ser uma lição. Já
    chega uma Olivença,
    na qual se esmagou uma cultura, uma língua, uma história, e se deteve
    o progresso durante
    um século. Situação que as elites actuais, económicas, políticas, e
    culturais (ou
    intelectuais) evitam abordar. Ou de que troçam, muitas vezes por
    ignorância, outras vezes
    por comodismo.
    A República faz cem anos. Como republicano, aplaudo. Como cidadão,
    acuso quem nos
    governa de estar a matar essa mesma República, e com ela Portugal!!!
    Estremoz, 09 de Abril de 2010
    Carlos Eduardo da Cruz Luna
    10 de Abril de 2010 13:02

  2. 13/04/2010 18:59

    valença ja foi valença, hoje É valencinha,já foipraça de Soldados, hoje é valença da MORRINHA roubou.nos tudo daqui

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: