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O sentimento de irreverência, o jovem de hoje e o revolucionário do futuro…

03/02/2010

Enquanto jovens, somos, por regra, tendencialmente irreverentes. Em Portugal, e este País não é excepção, viveu-se, especialmente no século transacto, as ondas choque dos valores da Liberdade, da Fraternidade, e da Igualdade (quiçá da já remota revolução de 1789 em Paris), que tanto inspirou pensadores, políticos, adultos, jovens e até Nações. Na proporção certa, é inegável que foram importantes às civilizações ocidentais. Muitas repúblicas emergiram com “sede” nessa data. Suíça, Estados Unidos da América (EUA) e França são alguns exemplos. Apenas de referir, telegraficamente, que no caso francês, Napoleão I e Napoleão III, entraram na chefia de Estado via republicana…mas, por tendência, vai-se lá saber porquê, não tardou que revirassem o bico ao prego e transformassem o seu “posto”, não num reinado, mas num império. Isto é, passaram de “presidentes” a “imperadores”…como por magia. Abracadabra e puff…já está ! Terá sido (apenas) por magia ? Por outro lado, o politólogo e sociólogo francês de esquerda Maurice Duverger, refere que os EUA são a última monarquia que subsistia, enquanto sistema presidencialista puro, por se equiparar e ser o sucedâneo do sistema monárquico tradicional.

Posto isto, enumeras Constituições, umas mais, outras menos, umas de forma mais adequada, outras de forma mais radical, embeberam-se naquele espírito “revolucionário” e foram injectando tal pensamento (ou modo de pensar) nas gerações. Muitos jovens, ainda hoje, são alvos desse “pensamento unilateral”…isto nos casos mais radicais.

Contudo, esta formação (ou será formatação?) revela, objectivamente, dois aspectos:
1.º) Os “continuadores” desse modelo francês, conseguiram, indubitavelmente, criar uma ampla massa na sociedade hodierna, dita de “esquerda” ou de “valores de esquerda”, que inconscientemente, ou não, estão a levar o colectivo dos cidadãos para o caminho que determinarem. Neste capítulo a missão, em Portugal, tem sido bem sucedida. É um tal “espírito de irreverência” que nos querem fazer querer. O princípio é: ser-se diferente por ser diferente….mais típico na juventude. Mas quem não passou por isso ?! Julgamos, sem ironia, até ser saudável. Demarca a personalidade, não cria andróides, e reforça a determinação do carácter. A questão que se coloca é outra. Ou seja, se essa irreverência não corresponde à aludida mancha (enorme indubitavelmente), porque o caminho que é apresentado aos nossos jovens é um e apenas um…porque o resto é “conservador”, “bolorento” e “uncool”;

2.º) Outro aspecto conseguido pelos citados “continuadores”, na acção movida durante anos, de forma insana e incessante, foi que, desapercebidos, acabaram por, curiosamente, dar início, nos dias de hoje, ao caminho que irá inverter tudo aquilo que “seguiam”. Este é, já hoje, um caminho para o futuro, de um só sentido e indubitavelmente irreversível. Os “continuadores” descuraram de uma coisa fundamental. É que essa irreverência tem um valor supremo para os jovens, e esse é o já aludido: “princípio” da diferença. Ora, conforme afirmávamos, a massa que hoje prevalece é inquestionavelmente seguidora de determinados valores específicos, pois segundo a ideologia “reinante” são os melhores, e por isso não há abertura a outros. É A, não é B, nem é A+B. É A ! Porém, o “espírito de mudança” sempre existirá, mesmo nos rebanhos mais vastos. A maioria dos nossos jovens a partir de 1974 foram ficando cada vez mais alheios às “motivações” cívicas, ideológicas e intervencionistas, as quais os nossos pais foram imbuídos na contemporaneidade dos idos anos 60, 25 de Abril, etc. Com a consciência colectiva interventiva neutralizada, também pelos enormes e voluptuosos rios de dinheiro comunitário que se traduziram em bem estar, acabou por se chegar a uma passividade refastelada e uma irreverência muito mais amorfa que a dos nossos predecessores, por falta de uma causa realmente importante. É a geração Playstation. A confirmação é cada vez mais expressiva: os crescentes índices das abstenções. Uma espécie de adormecimento. Intencional ou não? Não sabemos. Contudo, esse espírito de irreverência, inquestionavelmente, ainda existe no tecido juvenil, embora factualmente com menor expressividade que noutros tempos. Mas hoje reaparece, e é cada vez maior o número de jovens que começam a perceber que há uma nova Causa por defender. Algo diferente de tudo até hoje. Algo que, aos seus pais, nem sequer lhes foi dada a hipótese de reflectir, quanto mais se baterem. Esta é anterior a 1974. E o que tem de muito especial…? É que lhes leva ao cerne da questão: porque é que o nosso Portugal não está bem ? Logo, é de concluir que, em face do crescente número de jovens que querem um Rei (ou Rainha), esta missão, além de totalmente inovadora para os nossos dias republicanos, começa a ganhar contornos que nunca eram supostos surgir na república instalada em Portugal. Como se explica que um jovem, sem ligações nobiliárquicas, urbano, que não goste de touradas, que não saiba onde fica a Golegã, queira um Rei…hoje ? Isso acontece pois ele agora tem a oportunidade de saber, ao contrário de seus pais, que os países mais desenvolvidos são monarquias e o País dele, que já foi Uma, já não é. E vai procurar estudar o porquê… E o que descobre é algo vergonhoso e de uma brutalidade inexorável. Por outras palavras, descobre que em 1910 foi cometido algo de muito grave contra a democracia. E este indaga…mas afinal será que o País onde vivo, porque emanou, coxo, de uma revolução sangrenta, quando já havia uma democracia estabilizada, acaba por ser a resposta do seu mau estado actual ? E nesse patamar, confronta-se com o seguinte facto: os outros países que se mantiveram monarquias estão bem, de boa saúde institucional e são as potências do globo em termos de qualidade de vida humana.

Meus amigos, já em contornos de conclusão, de salientar que o segundo aspecto aqui invocado, que traduz a formatação que o republicanismo andou a infligir durante quase 100 anos, vai conhecer o seu reverso, pois são os ciclos histórico-sociais que assim o determinam, sendo que esta mudança é, já viva e dinâmica no âmago dos jovens portugueses, irreversível.

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